SerpentIA Clinical

Simulador educacional de acidentes ofídicos no Brasil, fundamentado em diretrizes oficiais e literatura científica.

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Primeiros socorros

Medidas imediatas desde o local do acidente até a avaliação no serviço de saúde. Priorize segurança, transporte rápido e suporte básico quando necessário.

1 Segurança e ABC

Afaste a vítima do risco sem tentar capturar a serpente. Avalie responsividade, via aérea, respiração e circulação; acione suporte de emergência se houver instabilidade.

2 Repouso, membro e higiene

Reduza movimentação, retire anéis, pulseiras e objetos constritivos, mantenha o membro em posição confortável e lave o local com água e sabão. Não faça torniquete, sucção, incisões, perfurações ou aplique substâncias caseiras.

3 Transporte e identificação segura

Encaminhe rapidamente para o serviço de saúde. Fotografia segura da serpente pode auxiliar, mas não atrase o transporte e não tente manipular ou capturar o animal.

4 Hidratação e chegada ao serviço

Se estiver consciente e sem risco de aspiração, pode receber água sob demanda. No serviço, registre hora/local da picada e evolução; examine edema, sangramento, força, ptose, deglutição, ventilação e diurese; prefira acesso venoso fora do membro afetado.

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Simulador interativo

Construa um cenário hipotético, compare os achados e consulte sugestões individualizadas de referência para fins de estudo.

1. Reconhecimento da serpente / grupo provável

A identificação do animal pode ajudar, mas não deve atrasar o atendimento. As imagens são ilustrativas; fotografia segura pode ser útil quando disponível.

❓ Serpente não identificada?
Use o padrão clínico predominante como apoio ao diagnóstico diferencial.

2. Há evidência de envenenamento?

Picada seca é a picada por serpente peçonhenta sem inoculação de peçonha. Não deve ser concluída apenas pela ausência inicial de sintomas, porque manifestações podem ser tardias.

🧑‍⚕️ Triagem clínica do quadro atual

Marque achados presentes agora. A ausência de manifestações precisa ser interpretada junto ao tempo de observação e ao grupo suspeito.

Tempo desde a picada (horas)
Pressão/perfusão
Respiração
Aguardando dados. Informe o tempo e os achados atuais.

📍 Contexto do acidente

Estado onde ocorreu o acidente (UF)
Município onde ocorreu o acidente
Local da picada
Lado afetado
Preencha quando essas informações estiverem disponíveis.

3. Fenótipo clínico esperado

Use o conjunto de manifestações, e não um único sinal isolado, para sustentar o diagnóstico clínico-epidemiológico.

Selecione um grupo acima

As manifestações locais e sistêmicas aparecerão aqui.

4. Classificação da gravidade

Selecione primeiro o grupo clínico.

🧠 Classificador guiado

Após selecionar o grupo, marque os achados do paciente. O sistema sugere a categoria de gravidade; a confirmação final permanece clínica.

Selecione um grupo para iniciar.

5. Exames e interpretação orientada

Os exames apoiam diagnóstico, monitoramento da soroterapia e detecção precoce de complicações; a interpretação deve ser integrada ao quadro clínico.

🧮 Interpretador laboratorial do paciente

Preencha apenas os resultados disponíveis. Os intervalos abaixo são referências operacionais para adultos e não substituem o intervalo informado pelo laboratório executor, que pode variar conforme método, sexo, idade e equipamento.
Tempo de coagulação (min)
Plaquetas (/µL)
Creatinina atual (mg/dL)
Diurese (mL/kg/h)
Duração dessa diurese (h)
Anúria (h)
CK/CPK (U/L)
PCR (mg/L)
LDH (U/L)
Aguardando resultadosPreencha os exames disponíveis e clique em “Interpretar resultados”.
📋 Parâmetros e valores de referência
ParâmetroReferência operacional usadaComo o painel utiliza
Tempo de coagulação (TC)≤9 min: normal; 10–30 min: prolongado; >30 min ou “incoagulável”: incoagulável.Reconhece e acompanha coagulopatia. No botrópico, não define gravidade ou dose isoladamente.
Plaquetas150.000–450.000/µL. Abaixo de 150.000/µL = plaquetopenia; valores muito baixos aumentam a preocupação hemorrágica.Correlaciona a contagem com sangramento, coagulograma e tendência seriada.
CreatininaReferência operacional adulta: 0,6–1,3 mg/dL. Valores acima da faixa ou elevação seriada exigem avaliação de função renal.Sinaliza possível disfunção renal e reforça a necessidade de repetir creatinina, ureia, eletrólitos e monitorar diurese.
Diurese / duração / anúriaDébito ≥0,5 mL/kg/h é usado como referência operacional. <0,5 mL/kg/h persistente sugere oligúria; anúria é sinal de alarme.Integra débito e duração para priorizar balanço hídrico, perfusão, eletrólitos e avaliação renal.
CK/CPKAdultos: aproximadamente 39–308 U/L (homens) e 26–192 U/L (mulheres); os limites dependem do método. Elevações acentuadas apoiam miotoxicidade/rabdomiólise.No crotálico, correlaciona CK com mialgia, urina escura, LDH, creatinina, eletrólitos e diurese.
PCR<5 mg/L como referência laboratorial geral. Não existe corte isolado específico para diagnosticar infecção secundária no ofidismo.Usa a PCR como marcador de apoio e tendência, sempre combinada com dor persistente, rubor, flutuação, secreção, febre e outros sinais.
LDHAdultos: aproximadamente 135–225 U/L (homens) e 135–214 U/L (mulheres); varia conforme método e laboratório.Apoia avaliação de lesão tecidual/muscular e é interpretada junto de CK/CPK, função renal e quadro clínico.

6. Risco de complicações e conduta dirigida

Selecione os sinais presentes e obtenha prioridades clínicas integradas, com orientações objetivas de conduta.

🦠 Infecção secundária

Sem avaliação ainda.

🦵 Síndrome compartimental

Sem avaliação ainda.

🫁 Deterioração neuromuscular/respiratória

Sem avaliação ainda.

🩸 Sangramento / instabilidade e manifestações sistêmicas

Sem avaliação de sangramento, instabilidade ou manifestações sistêmicas ainda.

🎯 Prioridades do caso · Conduta orientada pelos achados

Nenhuma manifestação adicional selecionada.
  • Complete os itens acima para gerar as prioridades.

7. Soroterapia e plano de conduta · simulação

A dose é definida pelo tipo de acidente e gravidade, não pelo peso corporal. Adultos e crianças recebem a mesma quantidade de frascos-ampolas.

Sugestão didática para o cenário simulado

Selecione tipo e gravidade

—
A recomendação aparecerá após a classificação clínica.
💉 Administração do antiveneno
  • Administrar por via intravenosa, sob monitorização contínua.
  • Diluir em soro fisiológico 0,9% ou glicose 5%; uma rotina prática pode utilizar 100 mL de diluente para a dose total prescrita. Para Saela, respeitar diluição de 1:2 a 1:5.
  • Infundir de forma controlada, com velocidade aproximada de 8–12 mL/min e atenção à sobrecarga volêmica.
  • Administrar a quantidade indicada de frascos-ampolas de uma só vez, sem fracionar.
  • Não realizar teste de sensibilidade de rotina.

📖 Legenda dos antivenenos

As siglas indicam os soros relacionados aos grupos de serpentes. A escolha depende da classificação clínica, da disponibilidade e do protocolo vigente.

  • SABR — Soro antibotrópico pentavalente — acidentes botrópicos.
  • SABL — Soro antibotrópico pentavalente e antilaquético — acidentes botrópicos ou laquéticos, conforme indicação.
  • SABC — Soro antibotrópico pentavalente e anticrotálico — acidentes botrópicos ou crotálicos, conforme indicação.
  • SAC — Soro anticrotálico — acidentes crotálicos.
  • Saela — Soro antielapídico bivalente — acidentes elapídicos.
🧴 Pré-soroterapia

O PCDT dos Acidentes Ofídicos de 2026 conclui que anti-histamínicos e corticoides administrados antes do antiveneno não demonstraram benefício na prevenção de reações anafiláticas botrópicas; as evidências são limitadas para acidentes laquéticos/crotálicos e inexistentes para elapídicos.

Opções de pré-medicação que podem ser consideradas conforme protocolo do serviço e avaliação clínica:
OpçãoDose / viaQuando administrar
Dexclorfeniramina0,05 mg/kg VO em crianças e adultos.Cerca de 30 min antes do antiveneno.
LoratadinaAdulto: 0,05 mg/kg VO. Crianças 2–6 anos: 5 mg VO, dose única; >6 anos: 10 mg VO, dose única; <2 anos: preferir dexclorfeniramina.Cerca de 30 min antes do antiveneno.
DifenidraminaAdultos: 25–50 mg IV. Crianças >2 anos: o guia descreve 5 mg/kg/24 h; confirmar fracionamento e apresentação disponíveis no serviço.Cerca de 5–10 min antes do antiveneno.
Hidrocortisona (pode ser associada ao anti-H1)Adultos: 300 mg IV. Crianças ou pacientes <50 kg: 5 mg/kg IV.Administrar antes do antiveneno conforme rotina institucional; o guia não estabelece um intervalo separado específico.
  • Investigar história prévia de alergias e aumentar a vigilância durante a administração quando houver antecedente relevante.
  • Se optar por pré-soroterapia por via oral, aguardar aproximadamente 30 minutos antes do antiveneno; com difenidramina IV, 5–10 minutos.
  • A pré-medicação não substitui monitorização contínua nem preparo para tratamento imediato de anafilaxia.
🚨 Reação precoce / anafilaxia

Interromper temporariamente a infusão, tratar imediatamente a reação e retomar o antiveneno o mais breve possível após estabilização. Na anafilaxia, a epinefrina é prioritária; anti-histamínicos e corticoides são adjuvantes.

MedidaDose / administraçãoTempo
Adrenalina (epinefrina) 1 mg/mL — 1:10000,01 mg/kg IM no vasto lateral da coxa. Máx. adulto: 0,5 mg; criança: 0,3 mg.Repetir a cada 5–15 min se sintomas persistirem ou recidivarem.
Oxigênio + suporte de via aéreaOxigenação e ventilação conforme necessidade; preparar bolsa-válvula-máscara e intubação se houver deterioração respiratória.Imediato.
Expansão volêmicaCristaloide IV conforme estado hemodinâmico e resposta clínica.Imediato se hipotensão/choque.
Anti-histamínico H1 (adjuvante)Administrar conforme apresentação disponível e protocolo institucional.Após medidas prioritárias.
Corticoide (adjuvante)Administrar conforme gravidade e protocolo institucional.Após medidas prioritárias.
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Conduta imediata e o que evitar

Medidas de suporte que se aplicam aos quatro grupos, com ajustes conforme o quadro.

✅ Fazer

  • Lavar o local com água e sabão e, depois, soro fisiológico 0,9%.
  • Manter o membro afetado elevado e estendido; remover anéis, pulseiras e roupas apertadas.
  • Hidratar adequadamente conforme estado clínico e risco renal.
  • Analgesia com dipirona ou paracetamol, considerando alergias/contraindicações.
  • Atualizar profilaxia antitetânica conforme situação vacinal e tipo de ferimento.

⛔ Evitar

  • Torniquetes, garrotes, incisões, sucção ou manipulação do local.
  • AINEs, pelo risco de injúria renal.
  • Via intramuscular e bloqueio anestésico no local da picada.
  • Antibiótico profilático de rotina.
  • Teste de sensibilidade e pré-medicação rotineira antes do antiveneno.

⚠️ Reação ao antiveneno

  • Se reação precoce: interromper temporariamente a infusão e tratar a reação.
  • Na anafilaxia/choque, epinefrina é a intervenção prioritária; corticoide e anti-histamínico têm papel secundário.
  • Após remissão, retomar a soroterapia o mais breve possível.
  • Vigiar também doença do soro tardia (5–24 dias).
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Monitoramento clínico e laboratorial

Após a soroterapia: reavaliar evolução, eventos adversos e necessidade de nova conduta.

Selecione o grupo de serpente no Assistente interativo para visualizar o monitoramento clínico e laboratorial específico.
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Complicações e intervenções

Reconheça cedo e acione suporte especializado quando necessário.

🫁 Insuficiência respiratória

Mais relevante em acidentes elapídicos e crotálicos. Garanta ventilação adequada; bolsa-válvula-máscara pode ser necessária e, nos casos graves, intubação orotraqueal com ventilação mecânica.

Emergência

🧠 Neuroparalisia elapídica

Neostigmina pode ser considerada em manifestações neuroparalíticas graves associadas sobretudo à ação pós-sináptica, precedida de atropina para antagonizar efeitos muscarínicos. Usar por equipe médica experiente.

Uso especializado

🩸 Hemorragia/coagulopatia

Acompanhe sangramentos, TC/coagulograma e plaquetas. Em botrópico, o tempo de coagulação não deve ser usado isoladamente para definir gravidade/dose inicial.

Reavaliar seriado

🧪 Injúria renal aguda

Monitorar creatinina, ureia, diurese e eletrólitos. Manejo individualizado pode exigir expansão volêmica, correções hidroeletrolíticas, vasoativos e terapia renal substitutiva.

Risco maior no crotálico

🦵 Síndrome compartimental

Edema endurecido difuso e dor intensa/persistente exigem avaliação cuidadosa. Fasciotomia não é rotina; deve ser considerada por equipe multiprofissional após confirmação diagnóstica.

Cirurgia seletiva

🦠 Infecção/necrose

Antibiótico apenas para infecção secundária estabelecida, direcionado ao sítio. Drenagem de abscesso e desbridamento de tecido necrótico devem ser individualizados.

Sem profilaxia rotineira

🏥 Quando elevar o nível de cuidado

Gravidade sistêmicaChoque/hipotensão, hemorragia importante, injúria renal aguda, alteração neurológica relevante ou insuficiência respiratória justificam encaminhamento urgente.
Gravidade localSuspeita de síndrome compartimental, necrose extensa, abscesso/infecção com necessidade de procedimento ou perda funcional progressiva exigem avaliação hospitalar/especializada.
Infecção secundária: dor localizada persistente, rubor/celulite, flutuação, secreção purulenta, febre e abscesso aumentam a suspeita. Antibiótico não é profilático; escolha e dose devem seguir sítio, gravidade, microbiologia e protocolo institucional.
O SerpentIA Clinical apresenta sugestões de gravidade, soroterapia, exames e monitoramento para cenários hipotéticos, com finalidade científica e educacional e base em protocolos de referência, sem validação clínica formal ou substituição da avaliação por profissionais de saúde.
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Protocolos complementares

Consulta rápida de rotinas práticas para diagnóstico, exames, preparo e administração do antiveneno, seguimento, encaminhamento, alta, notificação e armazenamento.

AO1 · Primeiros socorros

Condutas imediatas no local do acidente e durante o transporte.

O que fazer

  • Manter a pessoa em repouso, reduzir movimentos e tranquilizá-la.
  • Retirar anéis, pulseiras, calçados apertados e outros objetos constritivos.
  • Lavar o local com água e sabão e manter o membro em posição confortável, preferencialmente elevado quando possível.
  • Providenciar transporte rápido para unidade de saúde com acesso a antiveneno; fotografia segura do animal pode ajudar na identificação sem atrasar o atendimento.

O que não fazer

  • Não fazer torniquete ou garrote.
  • Não cortar, perfurar, espremer ou fazer sucção no local.
  • Não aplicar substâncias caseiras, produtos químicos, gelo ou medicamentos sobre a picada.
  • Não tentar capturar ou manipular a serpente.
Se houver rebaixamento, choque, dispneia ou paralisia, priorizar ABC, suporte ventilatório/hemodinâmico e encaminhamento imediato.

AO2 · Diagnóstico e classificação clínica

Integre epidemiologia, síndrome predominante, evolução e gravidade.

Padrões clínicos

  • Bothrops: dor/edema/sangramento e possível coagulopatia.
  • Lachesis: quadro semelhante ao botrópico + manifestações vagais.
  • Crotalus: neuroparalisia + mialgia/mioglobinúria.
  • Micrurus: miastenia/neuroparalisia com risco respiratório.

Como classificar

Defina a gravidade pelo conjunto de manifestações locais e sistêmicas. O tempo de coagulação auxilia diagnóstico e seguimento, mas não deve ser usado isoladamente para classificar a gravidade botrópica.

🧪 Como realizar o tempo de coagulação

Procedimento operacional para serviços que utilizam o método manual.
  1. Coletar 4 mL de sangue venoso e distribuir 2 mL em dois tubos de vidro 13×100 mm.
  2. Iniciar o cronômetro e manter os tubos a 37 °C.
  3. A partir do 5º minuto, inclinar suavemente um tubo a 90° a cada minuto; manter o segundo em repouso como controle.
ResultadoInterpretação
≤9 minNormal
10–30 minProlongado
>30 minIncoagulável
Reavaliar a coagulopatia após a soroterapia. Uma nova avaliação em cerca de 12 h pode ser usada no seguimento, com repetição conforme evolução até normalização. Interpretar sempre em conjunto com o quadro clínico.

AO4 · Preparo do antiveneno para administração

Conferência, preparo seguro e monitorização durante a infusão.

1 · Conferência do produto

  • Confirmar antiveneno indicado, dose prescrita, validade, fabricante/lote, integridade do frasco e conservação entre 2–8 °C.
  • Não utilizar frasco congelado, turvo, com precipitado, grumos ou partículas.

2 · Preparo e diluição

  • Higienizar as mãos, utilizar luvas e técnica asséptica. Preparar apenas quando a administração estiver pronta para começar e utilizar imediatamente após a abertura.
  • Uma opção operacional é diluir a dose prescrita em 100 mL de soro fisiológico 0,9% ou glicose 5%, ajustando o volume à condição clínica e ao protocolo institucional.
  • Para o antielapídico, respeitar a diluição de 1:2 a 1:5.

3 · Segurança e acompanhamento

  • Antes de iniciar, verificar acesso venoso e sinais vitais; disponibilizar oxigênio, cristaloide, adrenalina e material para suporte ventilatório.
  • Administrar por via intravenosa com velocidade controlada e vigilância contínua, atentando para sobrecarga volêmica e sinais de reação: prurido, urticária, rouquidão, estridor, dispneia, hipotensão ou alterações do pulso.
  • Registrar dose, fabricante/lote, validade e eventuais intercorrências.

AO5 · Tratamento antiveneno específico

Tipo de antiveneno, dose, pré-soroterapia, administração e reação à infusão.

Princípios

  • Escolher o antiveneno e o número de frascos conforme o tipo de acidente e a gravidade.
  • A quantidade de frascos é a mesma para adultos e crianças.
  • Administrar a dose completa de uma só vez, por via intravenosa e sob monitorização.
  • Ter adrenalina, oxigênio, cristaloide e material de ventilação imediatamente disponíveis.

Pré-soroterapia

Quando adotada pelo serviço, pode utilizar antagonista H1 antes do antiveneno: dexclorfeniramina ou loratadina cerca de 30 minutos antes, ou difenidramina IV 5–10 minutos antes. Hidrocortisona pode ser associada conforme avaliação clínica. As doses completas estão na etapa 7.

Se ocorrer reação importante, interromper temporariamente a infusão, tratar imediatamente e retomar o antiveneno após estabilização, o mais breve possível.

AO6 · Cuidados com o local da picada

Acompanhar progressão do edema, perfusão, dor e complicações locais.

Avaliação seriada

  • Manter higiene local com soro fisiológico quando necessário e cobertura frouxa se houver sangramento ou exsudato.
  • Registrar calor, rubor, dor, edema e perfusão; medir circunferência quando útil.
  • Procurar bolhas, hemorragia local, celulite/abscesso, necrose e síndrome compartimental.

Extensão do edema

Documente a progressão anatômica e, para classificar o acidente botrópico, use três segmentos do membro: mão/punho, antebraço/cotovelo e braço; ou pé/tornozelo, perna/joelho e coxa.

Bolhas, necrose ou abscesso exigem avaliação individualizada. Aspiração, desbridamento, drenagem e outros procedimentos não devem ser automáticos; indicar conforme achados, viabilidade tecidual e avaliação da equipe.

AO7 · Seguimento do paciente

Reavaliação clínica e laboratorial após o antiveneno.
  • Nas primeiras 12 h: revisar hemorragia/coagulopatia, edema e reações precoces.
  • Repetir TC quando indicado e acompanhar até normalização.
  • Progressão rápida do edema, hemorragia persistente/nova, hipotensão/choque ou TC incoagulável justificam reavaliação e possível reclassificação.
  • Casos graves exigem referência hospitalar e monitoramento de complicações.

AO8 · Encaminhamento para unidade hospitalar

Critérios práticos para escalonamento do cuidado.
  • Acidente grave ou reclassificado como grave.
  • Suspeita de síndrome compartimental ou necrose com necessidade de procedimento.
  • Hemorragia sistêmica importante, choque, injúria renal aguda ou alteração neurológica relevante.
  • Infecção/abscesso com má resposta ou necessidade de drenagem/cirurgia.
  • Reação grave ao antiveneno ou necessidade de suporte avançado.

AO9 · Avaliação das complicações

Reavaliar diariamente e intensificar a vigilância após as primeiras 48 horas quando houver risco clínico.

Injúria renal aguda

Monitorar creatinina, ureia, eletrólitos, diurese e balanço hídrico. Oligúria, anúria ou elevação progressiva da creatinina exigem intensificação do cuidado e avaliação de terapia renal substitutiva quando indicada.

Infecção e necrose

Dor persistente, rubor/celulite, flutuação/abscesso, secreção, febre, odor fétido e sinais sistêmicos aumentam a suspeita. Antibiótico dirigido, drenagem de abscesso e desbridamento podem ser necessários conforme o foco.

AO10 · Alta hospitalar e acompanhamento ambulatorial

Planejar reavaliação após estabilização.
  • Agendar pelo menos uma reavaliação em cerca de 7 dias.
  • Pesquisar necrose, úlcera/infecção, redução de diurese, sangramentos e reação tardia ao soro.
  • Considerar fisioterapia quando houver déficit funcional.
  • Se houver ferida aberta, articular curativos e avaliação seriada na atenção básica.

AO11 · Alta da unidade básica e acompanhamento

Condições para encerrar o acompanhamento local.
  • Ausência de inflamação local relevante e recuperação funcional/deambulação.
  • Sem suspeita de celulite ou abscesso.
  • Sem necessidade de medicação contínua por complicação ativa.

AO12 · Preenchimento da ficha de notificação

Acidente ofídico é evento de notificação compulsória.
  • Notificar acidentes por serpentes peçonhentas ou não, com ou sem antiveneno.
  • Completar dados sociodemográficos, circunstâncias/local do acidente e identificação do animal quando disponível.
  • Registrar tipo de acidente, antiveneno, número de frascos, evolução e complicações.
  • Não deixar de notificar casos sem soroterapia.

AO13 · Recebimento e armazenamento de antiveneno

Boas práticas para pontos com rede de frio.
  • Conferir integridade física, quantidade recebida e aspecto do produto.
  • Registrar temperatura de transporte e manter armazenamento entre 2–8 °C, sem congelar.
  • Controlar estoque/validade, planejar remanejamento e restringir acesso à área de armazenamento.
  • Registrar temperatura rotineiramente e manter plano de contingência para falha elétrica/refrigeração.
  • Capacitar equipe e descartar resíduos conforme orientação da rede de imunobiológicos.
📚

Fontes e base metodológica

O módulo reúne documentos oficiais brasileiros e referências técnicas complementares para sustentar as decisões, rotinas assistenciais, exames e manejo das complicações.

Ministério da Saúde — PCDT dos Acidentes Ofídicos (2026)

Base nacional para diagnóstico clínico-epidemiológico, gravidade, antivenenos, número de frascos-ampolas, administração, exames, monitoramento e complicações.

Abrir PCDT oficial ↗
Guia para o tratamento dos acidentes ofídicos (SAVING, 2022)

Guia operacional para primeiros socorros, diagnóstico, tempo de coagulação, preparo/administração de antiveneno, cuidado local, seguimento, encaminhamento, alta, notificação e rede de frio.

Abrir guia SAVING ↗
Ministério da Saúde — Guia de Animais Peçonhentos do Brasil

Base complementar para reconhecimento dos grupos, características morfológicas e identificação quando fotografia ou animal forem apresentados.

Abrir guia ↗
Ministério da Saúde — Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESA)

Lista oficial dos hospitais/pontos de referência por estado para atendimento de acidentes por animais peçonhentos.

Localizar referência ↗
World Health Organization — Snakebite envenoming

Apoio para princípios gerais: transporte rápido, evitar torniquete/incisões, remoção de itens apertados, imobilização e vigilância de via aérea/respiração.

Abrir orientação OMS ↗
Ministério da Saúde — Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (6ª ed.)

Fonte complementar para dose e via de adrenalina e medicamentos adjuvantes no tratamento da anafilaxia. No módulo, essas doses são apresentadas apenas como manejo de reação ao soro, não como pré-medicação antiofídica.

Abrir manual ↗
Ministério da Saúde — Acidentes Ofídicos

Página oficial do Ministério da Saúde com orientações e informações sobre acidentes ofídicos.

Abrir página oficial ↗
Ministério da Saúde — Guia de Vigilância em Saúde

Referência complementar para interpretação operacional do tempo de coagulação: normal, prolongado e incoagulável.

Abrir guia ↗
AAST — consenso sobre rabdomiólise

Fonte complementar para contextualizar CK/CPK quando o PCDT não fornece corte numérico; o painel sinaliza que esses limites não são específicos para ofidismo.

Abrir consenso ↗
Valores laboratoriais de referência — Ministério da Saúde e laboratórios de referência

Faixas operacionais utilizadas no interpretador: plaquetas 150.000–450.000/µL, PCR <5 mg/L e creatinina 0,6–1,3 mg/dL são documentadas em material do Ministério da Saúde; CK e LDH utilizam intervalos adultos de laboratórios de referência internacional. Confirmar sempre o laudo local.

Ministério da Saúde ↗ · CK ↗ · LDH ↗
Como ler os limites numéricos: use valores de referência do laboratório local e a tendência seriada sempre que aplicável. Hemograma, coagulação, creatinina, eletrólitos, CK/CPK, LDH e PCR devem ser interpretados em conjunto com o quadro clínico e a evolução do paciente.