Sobre o Projeto SerpentIA

O SerpentIA é uma plataforma digital desenvolvida para integrar epidemiologia, vigilância em saúde, análise espacial, variáveis climáticas, apoio à decisão clínica e inteligência artificial no estudo dos acidentes ofídicos no Brasil.

O projeto parte de um problema concreto: o acidente por serpente não termina na picada. Entre o evento, o deslocamento até uma unidade de saúde, o reconhecimento do envenenamento, a disponibilidade de soro e o acompanhamento das complicações existe uma cadeia de decisões em que tempo, localização e informação podem modificar o desfecho do paciente.

A base epidemiológica integrada do SerpentIA reúne 256.030 notificações de acidentes por serpentes peçonhentas no Brasil, entre 2016 e 2025, abrangendo os quatro grupos: 220.150 botrópicos (86,0%), 27.940 crotálicos (10,9%), 4.441 laquéticos (1,7%) e 3.499 elapídicos (1,4%). No período, foram registrados 1.204 óbitos (letalidade de 0,47%) e 21.619 casos classificados como graves (8,4%).

O perfil epidemiológico evidencia diferenças territoriais, sazonais e assistenciais: 77,7% dos casos ocorreram em homens; a faixa etária de 20 a 39 anos concentrou 32,9% das notificações; e 161.601 atendimentos (63,1%) foram registrados em até três horas. A soroterapia foi informada em 222.121 casos (86,8%). O Pará apresentou o maior número de notificações no período, com 48.081 registros.

Esses resultados reforçam que o ofidismo é um problema de saúde pública relacionado a território, sazonalidade, condições climáticas, acesso à assistência e características populacionais. O módulo Vigilância permite examinar os quatro grupos conjuntamente ou separadamente e explorar associações com precipitação, temperatura e umidade. As correlações climáticas são exploratórias, calculadas nos recortes com observações meteorológicas válidas, e não demonstram causalidade. Os registros estão sujeitos a subnotificação, atrasos, incompletude e revisões das bases oficiais; o município analisado corresponde ao de notificação, não necessariamente ao local da picada.

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256.030
acidentes por serpentes peçonhentas · quatro grupos · Brasil (2016–2025)
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1.204
óbitos registrados nos quatro grupos
⚠️
21.619
casos classificados como graves (8,4%)
⏱️
63,1%
dos atendimentos registrados em até 3 horas
Vigilância orientada por dados

SerpentIA Vigilância

O módulo SerpentIA Vigilância transforma notificações nacionais dos acidentes botrópicos (Bothrops), crotálicos (Crotalus), laquéticos (Lachesis) e elapídicos (Micrurus) em informação epidemiológica explorável. Na seleção Todos, reúne os quatro grupos em indicadores gerais, séries temporais, mapas e perfis demográficos e assistenciais; também permite consultar cada grupo individualmente. A análise de sazonalidade articula notificações com dados de precipitação, temperatura e umidade, distinguindo a cobertura nacional das notificações da cobertura parcial das observações meteorológicas. Essas associações são exploratórias, não causais, e podem apoiar o planejamento de ações de vigilância, prevenção e organização da rede de atenção.

Apoio à decisão clínica

SerpentIA Clinical

O SerpentIA Clinical é uma ferramenta de apoio estruturado à avaliação de vítimas de acidentes ofídicos dos quatro grupos de serpentes peçonhentas. Organiza o reconhecimento do grupo provável, o contexto do acidente, as manifestações locais e sistêmicas, a interpretação de exames laboratoriais, a classificação da gravidade, a soroterapia, os riscos de complicações e o monitoramento clínico. Seu objetivo não é substituir a avaliação médica ou os protocolos oficiais, mas reduzir a fragmentação da informação e tornar a decisão clínica mais organizada, rastreável e acessível no ponto de cuidado.

Autores

Transparência tecnológica e limites científicos

O SerpentIA foi desenvolvido em HTML, CSS e JavaScript, com auxílio de inteligência artificial generativa para programação, revisão de código, integração de dados e aprimoramento da interface. O uso dessa tecnologia na construção do site não significa que os painéis epidemiológicos utilizem modelos preditivos treinados ou que a ferramenta esteja clinicamente validada.

O Vigilância apresenta análises descritivas e ecológicas exploratórias com dados oficiais retrospectivos (2016–2025); o Clinical apresenta regras e sugestões voltadas ao estudo de cenários hipotéticos, sem validação clínica formal. Para interpretação dos resultados e limitações, consulte a metodologia de cada módulo.

Foto dos autores do Projeto SerpentIA

Mauro Valentino Paloschi

Biomédico, mestre e doutor em Biologia Experimental pela Universidade Federal de Rondônia e pesquisador em nível de pós-doutorado na Fiocruz Rondônia. Atua principalmente em imunologia celular, toxinologia, bioinformática e inteligência artificial aplicada à saúde. Desenvolve pesquisas translacionais relacionadas ao envenenamento ofídico, biomarcadores moleculares e novas estratégias terapêuticas, com foco em aplicações para o SUS e para a realidade amazônica.

↗ Currículo Lattes

Charles Nunes Boeno

Biomédico, mestre e doutor em Biologia Experimental pela Universidade Federal de Rondônia e pesquisador em nível de pós-doutorado na Fiocruz Rondônia. Atua principalmente nas áreas de bioquímica, imunologia, toxinologia, imunofarmacologia e vigilância em saúde, com experiência no estudo dos mecanismos inflamatórios induzidos por toxinas animais.

↗ Currículo Lattes

Apoio institucional

O SerpentIA integra o projeto “Biomarcadores Transcriptômicos em Ofidismo: Uma Abordagem com Inteligência Artificial para o SUS”, aprovado na Chamada PPSUS FAPERO nº 01/2025, no âmbito do Programa Pesquisa para o SUS: Gestão Compartilhada em Saúde (PPSUS). A iniciativa conta com apoio da Fundação Rondônia de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa (FAPERO), em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia (SESAU-RO), com o Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit), vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo Econômico-Industrial da Saúde (SECTICS) do Ministério da Saúde (MS) do Brasil, e com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para fomentar pesquisas orientadas às necessidades regionais e ao fortalecimento do SUS.